quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Koan - O que é Zen?

discípulo: “O que é zen?”

mestre: “Ele está bem diante dos seus olhos”

discípulo: “e por que eu não posso vê-lo?”

mestre: “Porque você tem um ‘eu’”.

discípulo: “Se eu não mais tiver o ‘eu’ poderei compreender o zen”?

mestre: “Se não há ‘eu’, quem quer compreender o zen?”


"Se você compreende, as coisas são como são. Se você NÃO compreende, as coisas CONTINUAM como são."

terça-feira, 25 de setembro de 2007


VOCÊ DEIXOU SEU CARRO EM CASA?

O último dia 22 de Setembro foi o tal Dia Mundial Sem Carro.

O objetivo, entre outros, é conscientizar as pessoas sobre a poluição, meios alternativos, meio-ambiente, a vida no planeta e blá, blá, blá...

O real problema de nosso mundo é que nossa sociedade se tornou a "sociedade do atalho". Sempre que nos deparamos com algum problema tomamos a iniciativa mais fácil e rápida, que invariavelmente se mostra inócua e burra.

Quer fazer algo pelo ar que respiramos, pelo planeta, pela vida?

Matéria do Le Monde de hoje
(http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2007/09/25/ult580u2679.jhtm) mostra que na escala mundial, a criação de gado é responsável por 65% das emissões de hemióxido de nitrogênio (azoto, essencialmente imputáveis ao esterco), enquanto o gado engendra 37% das emissões de metano.É preciso 4 kg de cereais para produzir 1 kg de frango, e 6 kg de grãos para 1 kg de porco. Este último necessita, além disso, de 4.600 litros de água. Esta quantidade aumenta para 13.500 litros para 1 kg de boi, enquanto apenas 1.000 litros de água são necessários para produzir 1 kg de trigo.

As produções de origem animal - carne, ovos, laticínios - são extremamente poluentes. Os bilhões de toneladas de excreções que delas se originam engendram resíduos nitrogenados nos solos e nos rios. Além disso, a pecuária, por si só, representa 18% das emissões mundiais de gases de efeito-estufa.


Ou seja, uma contribuição para o aquecimento climático que é mais elevada do que aquela dos transportes.

Um outro ponto negativo desta produção é constituído pelo seu próprio consumo. Os pastos ocupam 30% das superfícies emersas, enquanto mais de 40% dos cereais que são colhidos servem para alimentar não diretamente os homens, e sim o gado. Uma vez que as áreas disponíveis são insuficientes para atender à demanda, a criação de gado pode provocar o desmatamento de florestas. Além disso, a pecuária é grande consumidora de matéria-prima e de água...

Resumindo, a produção animal vem sendo objeto de muitos questionamentos. Tanto mais que a Terra, daqui até 2050, terá 9 bilhões de bocas para alimentar.

Você quer MESMO fazer algo pela vida, pelo planeta, pelo meio-ambiente?...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

INFERNO

Por diversas razões – e talvez por falta de fé, que nada tem a ver com ”razão” – nenhuma religião conseguiu me convencer da existência do Inferno.

Nem do Inferno “básico”, aquele em que nossas almas ficam ardendo num sofrimento eterno nas chamas de um lugar cujo rei é o Diabo, vermelho, de chifres e rabo nem, num outro extremo, o dos psicanalistas, em que o tal lugar nada mais é que nossa própria mente perturbada.

Mas eu “vi” o inferno...

Um Inferno onde corpos são dilacerados, indivíduos são acorrentados, partes de seus corpos são cortadas ou arrancadas “a seco”, jogados ainda vivos em água fervente, mortos em câmaras de gás, separados de seus familiares mesmo ainda em fase de amamentação, alimentados com substâncias que os intoxicam, forçados a produzirem e a se reproduzirem muito além do que suas naturezas e corpos permitem...
E muitos outros horrores.

E esse Inferno existe por apenas um motivo: você.

Se você é católico, evangélico, protestante, pentecostal, adventista, batista, espírita, umbandista, budista, maometano, islâmico, hare krishna, jainista, confucionista, taoísta, xintoísta, xamanista, cientologista, testemunha de Jeová, humanista secular ou qualquer outra e procura Deus, paz, comunhão com o Universo ou algo parecido, não pode continuar sendo um avalista, um acionista do Inferno.

Então, se você ainda come carne, você não é nenhum dos acima.

Sinto mas, na verdade, é apenas um hipócrita.


Se tiver coragem de encarar, pode ver, como eu vi, em


http://video.google.com/videoplay?docid=195777870900147944&q=meet+your+meat

e, se ainda agüentar,

http://video.google.com/videoplay?docid=-6718434770864499282&q=carne+%C3%A9+fraca





TENTAÇÃO

E então lá estava ela, como se me olhasse, desafiadora, bem à minha frente.
Como se diz na gíria atualmente, tinha “um belo shape”.

Tentação.

Pensei que, bem, já estávamos ali, restaurante meio vazio, quase ninguém ao redor, nenhum conhecido. Afinal, “umazinha” só não faria mal.
Ao final de um dia de trabalho, cansado, estressado, seria bom relaxar...
Ninguém ficaria sabendo.

Mas então lembrei dos votos que fiz, da promessa. Pensei nas conseqüências, pensei que estaria abrindo um precedente, me desviando do caminho.
Minha consciência esperneou.

Então desviei o olhar, concentrei-me em outras coisas, resolvi abandoná-la ali mesmo onde estava.


Não é fácil ser vegetariano novato diante de uma coxinha aperitivo em sua mesa.



terça-feira, 28 de agosto de 2007

O Velho Índio







segunda-feira, 20 de agosto de 2007

DUAS DESPEDIDAS

DUAS DESPEDIDAS

Rainha e seus sete cães


Dona Rainha morava na Avenida Doutor Arnaldo bem próximo da entrada da estação de metrô, numa barraca de lonas, plásticos e madeira apoiada no muro do cemitério, dividida com uma família de sete cães.

A tal família começou com uma fêmea, Valentina, quando se “encontrou” com um cão malhado branco e preto que antes morava numa oficina mecânica ali perto.

Lá eles sobreviviam da venda de bolachas, leite e café da manhã aos apressados passantes e doações de pessoas consternadas com a situação, provavelmente em grande parte cachorreiros. Minha esposa e eu nos incluímos nesse grupo.

Não ajudamos tanto quanto deveríamos – a gente sempre acha que podia ter feito mais – e nos comovia vê-los ali, sob aquele amontoado de restos sob sol escaldante, chuvas torrenciais e o intenso frio que fez nesse ano.

Caminho de minha esposa ao trabalho, ela sempre me trazia notícias do grupo. Os filhotes cresceram, engordaram, estavam usando alguma roupa que levamos...

De repente, indo para um plantão de domingo, cadê todos eles? Nenhum sinal da barraca, das panelas, dos caixotes, dos filhotes.

Onde estariam? Morando em alguma casa abandonada? Algum sítio (onde mais aceitariam sete cães)? Debaixo de algum viaduto dessa cidade? De outra?

Passou uma ou duas semanas até que no domingo, zapeando entre os canais da TV, vimos a família feliz: tinham conseguido, através do programa Late Show, uma passagem – para todos – ao Maranhão. Dona Rainha voltou a morar com a mãe, levando incondicionalmente todos os seus grandes amigos. Sim: assistindo ao programa vimos que ela, ao saber que ganharia uma passagem de volta à sua terra natal disse que não iria de jeito nenhum sem seus companheiros. Conseguiu.

Foi nossa chance de nos despedir, pela TV, dela e de seus cães. Boa sorte dona Rainha.


Negão

Cães se conhecem uns aos outros e não sabem seus nomes. Acho bom mas, para contar essa outra estória, vamos dizer que ele se chamava Negão.

Quando eu tinha restrições de horários impostas pelo trabalho levava minhas cadelas para passear na praça próxima de casa à noite, após o expediente.

A primeira vez que vi Negão fiquei receoso: grande, magro, sentado num canto escuro da praça, meio descabelado e olhos amarelados logo me fez lembrar aquelas cenas de filmes de terror em que os olhos de alguma fera brilham no escuro da noite.

Ele se aproximou hesitante, não veio diretamente a nós, circundando o que podia ser um invasor hostil. Fiquei preocupado, pois ele poderia realmente se sentir ameaçado (por uma ferocíssima ShihTzu de lacinhos e uma Schnauzer com a personalidade do Garfield).

Estávamos “estudando” a situação, olhos fixos um no outro apesar de já ter lido que contato visual pode ser interpretado como agressão. Se é verdade, ele que ficasse com medo de mim.

Curiosas e solícitas demais, sem nenhuma noção de perigo, as duas correram para conhecê-lo. Percebi que ele ficou um tanto incomodado, como que com medo delas. Caminhou em minha direção, fiquei firme e, de repente, ele encostou a cabeça em minha perna (quase em minha cintura) pedindo um afago...

Continuei encontrando Negão por diversas vezes, inclusive depois que ele “se associou” a um morador de rua. Tomava conta dos apetrechos do homem enquanto ele ia comprar pinga e salame no bar da esquina.

Brincalhão, corria pela praça solto, livre, sem horários nem obrigações. Ambos dormiam no coreto, mas Negão tomava seu banho de sol diário deitado entre os canteiros floridos. Pena nunca ter me ocorrido bater uma foto com o celular. Acho que ainda não me acostumei: tirar fotos com o telefone...

Algumas vezes levei ração, mas ele ignorava. Estava mais acostumado a “comida de verdade”, restos que o sem-teto lhe dava.

Uma vez o vi sozinho, do outro lado da Avenida Matarazzo, muito movimentada. Ele parecia estar querendo atravessá-la, mas estava difícil. Estacionei o carro, fui resgatá-lo, acompanhando-o a pé na travessia da avenida e deixei-o na praça, fechando o portão.

Hoje, novamente na tal praça para o passeio diário, agora sem limitações de horário, encontro o morador de rua arrastando um pesado cobertor. Era Negão ali, sem um pedaço de seu flanco direito.

Deve ter sido atropelado, mas o tal senhor insistiu em dizer que foi maldade de alguém, que aquilo parecia coisa feita com facão, que já haviam dito que iam matá-lo pois ele havia “encrespado” com alguns cães maiores, com donos, que também freqüentam a praça.

Nunca saberemos.

Adeus Negão.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

ESTÓRIA 1, ESTÓRIA 2 E A NOSSA ESTÓRIA

Estória 1

Nos cafundós da Ásia, comerciantes encontraram filhotes de tigres abandonados numa estrada em meio a floresta. Feridos, com fome e sede, sua mãe provavelmente teria sido caçada e morta dias antes. Sem saber ao certo o que fazer com eles, resolveram levá-los a um templo budista próximo de onde estavam. O monge responsável pelo templo aceitou-os e cuidou deles como bebês.

A notícia não demorou a se espalhar e em pouco tempo diversas pessoas começaram a encaminhar animais abandonados para o templo. O monge aceitou-os todos e continua aceitando até hoje. Existem dificuldades, obviamente. Tigres adultos comem muito mais que os monges do templo. Além disso, o dia-a-dia mudou drasticamente, pois agora além de seus afazeres normais, os monges têm de tratar, alimentar, dar banho e até brincar um pouco com os tigres, porcos, javalis, veados, pavões, galinhas e outros animais tipicamente asiáticos dos quais nem me lembro o nome.

Eles contam com a ajuda dos próprios comerciantes e aldeões das redondezas, que doam alimentos, remédios e às vezes alguma ajuda financeira. Os tigres andam soltos pelo templo, assim como todos os outros animais, em convivência pacífica. Só um animal recém-chegado fica um tempo nas jaulas até que se acostume com seus novos companheiros e possa ser solto sem causar estragos.


Estória 2

Em Serra Leoa, África, o indiano Pala conseguiu emprego como tratador de chimpanzés, não sei ao certo se num pequeno zôo ou clínica. Lá trabalham, além dele, sua esposa, seu filho de uns dez anos e uma voluntária japonesa.

Ao recolher uma chimpanzé albina, toda branca e com um olho azul e outro castanho, chamou a atenção da imprensa, associações de proteção animal, do governo local e acabou recebendo um grande sítio para cuidar dos primatas.
A pequena chimpanzé albina não teria sobrevivido na selva pois apresentava especial sensibilidade ao Sol, além do que sua cor branca chamava muita atenção dos predadores.

Pala vive com sua família e os mais de 50 chimpanzés no tal sítio que, na verdade, é um trecho de selva – bastante grande – cercado. Volta e meia chegam novos primatas, apreendidos do tráfico internacional de animais ou encontrados doentes e abandonados na mata, pois às vezes se perdem dos bandos por ação dos caçadores.

Com o convívio na clínica do sítio, que virou uma reserva, os chimpanzés começam a aprender a viver só com os humanos e uma das funções de Pala e reintroduzí-los em sua comunidade de primatas. Com isso, chegou a aprender os sons e sinais típicos dos chimpanzés para poder ensinar aos mais jovens como se comportarem novamente como macacos, respeitando sua natureza.

A nossa estória

Acordamos ao menos cinco vezes por semana de sobressalto com o despertador, numa cidade que está entre as mais poluídas do planeta. Comemos qualquer coisa rapidamente e corremos para o trabalho, enfrentando o trânsito caótico, grosserias, congestionamentos, alagamentos. À noite, tudo se repete de volta pra casa. Já no sofá, exauridos pelas cobranças, pressões e estresse, nos deixamos levar catarquicamente pelas imagens da TV, para a qual apenas olhamos sem mover músculo nem neurônios.

Mesmo morando em apartamentos, nossas portas são devidamente trancadas e o prédio todo monitorado com câmeras e cercado eletricamente devido à violência e perigos lá fora.

No trabalho, qualquer que seja, sempre temos de engolir alguns sapos. Existem trabalhos muito dignos, como por exemplo, cuidar de crianças numa UTI Neonatal. Deve ser como presenciar um verdadeiro milagre ver um recém-nascido de 500g sobreviver e crescer graças aos seus cuidados. Mas, em sua grande maioria, os “trabalhos” não são tão mágicos assim. Em geral, na sociedade de serviços, em plena era da informação e conhecimento pessoas passam dias, semanas, meses, anos diante de um teclado e monitor.

Muita coisa acontece através dos comandos e trocas de mensagens pelas máquinas que controlam. É daí, microscopicamente, que a economia se alimenta e faz a roda do capital girar em prol da democracia e do “way of life”, mas suas relações com a vida são assim, frias, distantes, separadas de tudo por centenas de quilômetros de fios, cabos, carpete, ar-condicionado.

Imagine o monge do templo dos tigres ou Pala em sua reserva de primatas.

Com certeza você vai pensar algo como “Nossa, que desprendimento o deles, heim?! Viver no meio do nada, só cuidando de bichos...” ou que eles moram em lugares exóticos e, desse modo, só poderiam ter uma vida exótica.

Será que não somos nós os “exóticos”, de tão longe que fomos com nosso estilo de vida?

Ficamos enjaulados em casa ou dias ensolarados inteiros nos escritórios e achamos tudo "normal"...


Luís Henrique


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